Queer Eye é um daqueles tesouros escondidos na Netflix que, quando a gente acha, agradece o universo. O reality, que estreou em 2018, é um reboot de Queer Eye for the Straight Guy (2003-2017) e tem como ideia central exatamente isso que o nome sugere: levar o olhar de cinco homens lgbt, apelidados de Fab Five, para ajudar a organizar a vida de homens héteros (e algumas mulheres!). Cada um dos Fab5 fica responsável por uma área e assim eles começam as mudanças. Mas não se engane: Queer Eye é um programa de transformações bem diferente do estilo Esquadrão da Moda que conhecemos, começando pelo reconhecimento de que uma transformação não acontece apenas pela aparência. Com 3 temporadas e mais 4 episódios especiais confirmados, QE já me arrancou muitas lágrimas, sorrisos e me presenteou com lições valiosas que eu decidi compartilhar.
1. AUTOCUIDADO TAMBÉM É SOBRE OS SEUS HÁBITOS
No reality, Antoni cuida da parte gastronômica e a princípio, parece estranho ter alguém responsável por culinária num programa de makeovers, já que as primeiras coisas que vêm à nossa cabeça quando tocamos nesse assunto são roupas e aparência. A verdade é que para transformar a sua vida, não basta mudar por fora, já que autocuidado não é só sobre fazer uma noite de SPA e assistir um filme legal, é também sobre se alimentar melhor, dormir bastante, praticar a gratidão ou até, sei lá, arrumar a sua cama, coisinhas simples assim. Prestar atenção no que você come e em como você tem tratado o seu corpo (e no que você tem colocado nele) é importante para o seu bem estar e para a sua saúde. Afinal, como Antoni costuma dizer, comida é amor!
"Eu realmente gosto de ser vulnerável, é como eu me conecto com as pessoas e parte de como eu faço isso é por meio da comida, compartilhando algo que é muito íntimo e pessoal pra mim porque é algo que eu crio do nada." - Antoni Porowski
2. OLHAR NO ESPELHO E GOSTAR DO QUE VÊ É IMPORTANTE
Jonathan é o responsável pelos cuidados pessoais, é ele quem cuida dos cabelos dos participantes e os ensina a cuidar das suas peles, por exemplo. Com seu jeito super animado e cativante, Jonathan nos conquista e ensina que autoestima não é só aparência, mas que, ao mesmo tempo, se olhar no espelho e apreciar o que você está vendo é importante também. Quando você gosta verdadeiramente de si, a opinião alheia deixa de te definir. Jonathan ajuda a desconstruir a masculinidade tóxica que moldou pessoas que acreditam que cuidar de si é algo exclusivamente feminino e mostra que o autocuidado é importante pra todo mundo e contribui para a sua saúde e autoestima.
"Confiança é sexy! Saber quem você é, é sexy!" - Jonathan Van Ness
Uma das minhas partes favoritas de Queer Eye é ver o jeito que Tan, responsável pela moda, lida com o assunto. Ele não coloca os participantes em caixinhas e nem fala sobre tendências, Tan vai muito mais a fundo: presta atenção em como é a vida do participante, quais são as suas referências e qual a mensagem que aquela pessoa quer passar ao mundo e assim organiza as roupas novas do participante de acordo com o seu estilo e de uma forma com a qual a pessoa se sinta confortável e bonita. Ter estilo é exatamente isso: se autoconhecer.
"Estilo não é moda. A moda não é mais tendência após uma temporada. Eu não poderia ligar menos para a moda. Estilo é se vestir de uma forma que você se sinta confiante e que é apropriada pra você." - Tan France
4. O AMBIENTE CONTRIBUI PARA A SUA SAÚDE MENTAL - OU NÃO
Bobby é o designer de interiores do grupo e a partir dessa função nos mostra como o ambiente em que nós estamos também molda a nossa saúde. Ele cita que quando estava no auge da depressão a sua casa ficava totalmente desarrumada e ele não tinha forças nem motivação pra sequer ajeitar as coisas e, claro, aquilo se tornava um ciclo e a casa dele, que era pra ser um ambiente de conforto, acabava se tornando um lugar tóxico. Não é a toa que arrumar os nossos cantinhos e decorar da forma que mais gostamos nos deixa realizados e com sensação de trabalho cumprido: o ambiente em que nós estamos inseridos também interfere na nossa saúde mental.
"Eu ouvi um pastor dizer uma vez: ás vezes, quando você está se sentindo enterrado, você está, na verdade, sendo plantado." - Bobby Berk
5. TODOS NÓS LUTAMOS BATALHAS DIFERENTES
Karamo é responsável pela parte cultural do show, mas eu vejo ele mais como um "psicólogo" do grupo. Karamo sempre consegue encontrar no participante alguma coisa que, no fundo, está mal resolvida. Ele encontra as suas lutas internas e os ajuda com um empurrãozinho para resolve-las. Karamo incentiva a vulnerabilidade - coisa que a masculinidade tóxica abomina - e nos ensina que todos nós temos batalhas diferentes e coisas para resolver dentro de nós mesmos e que está tudo bem.
"Ele precisa entender que ser vulnerável não é um sinal de fraqueza, é um sinal de força. Isso mostra que você está conectado consigo mesmo." - Karamo Brown
Ao todo, os Fab Five nos entregam um programa que incentiva a vulnerabilidade, o autoconhecimento, o amor próprio e a beleza de ser diferente. Queer Eye desconstrói a masculinidade tóxica de várias maneiras e nos mostra que makeovers são muito mais do que como você se parece por fora. Eles nos enchem de conselhos, motivação e nos dão vontade de sermos melhores uns com os outros. Queer Eye é o tipo de programa de transformação que realmente vale a pena: sem espaço pra ódio e ridicularizações, apenas amor e empatia.
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Ei, vamos nos conectar por outras redes também?








































